Um olhar terapêutico sobre o luto silencioso da mulher, a reconstrução emocional e o fortalecimento do vínculo mãe–bebê.
A retirada do útero (histerectomia) em contexto obstétrico é, muitas vezes, um procedimento emergencial que salva vidas. No entanto, embora preserve a vida física, essa experiência pode provocar um profundo impacto emocional, psicológico e identitário na mulher.
Quando ocorre durante ou após a gestação, essa perda não afeta apenas o corpo — ela pode tocar a identidade feminina, os projetos de maternidade e a percepção de si mesma.
Sob a perspectiva da psicologia emocional e do Método Reestruturação do Eu, desenvolvido pela Psicóloga e Neuropsicóloga Socorro Castro, este momento exige reconhecimento da dor, acolhimento emocional e reconstrução interna.
O impacto emocional da perda do útero
A perda do útero pode simbolizar:
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perda da fertilidade futura
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ruptura com o corpo idealizado
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frustração de planos maternos
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sensação de incompletude feminina
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trauma associado ao parto
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culpa ou sentimento de falha
Este luto frequentemente não é validado socialmente, o que intensifica o sofrimento emocional.
Quando a dor não é reconhecida, ela pode se transformar em silêncio emocional e sofrimento prolongado.
O bebê sente o impacto emocional da mãe?
O bebê não compreende a perda física do útero. No entanto, ele é altamente sensível ao estado emocional da mãe.
De acordo com a neurobiologia do apego e o desenvolvimento emocional infantil, o bebê regula suas emoções através da conexão materna.
Quando a mãe está emocionalmente fragilizada, o bebê pode apresentar:
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irritabilidade
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maior necessidade de contato
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choro frequente
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dificuldades no sono
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sensibilidade ao ambiente
Isso não representa dano permanente, mas sinaliza a importância do suporte emocional à mãe no pós-parto.
O luto invisível após a histerectomia
A mulher pode vivenciar perdas emocionais profundas, como:
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perda do corpo idealizado
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perda da maternidade futura
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perda do parto sonhado
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perda da autonomia física temporária
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perda da identidade anterior
Reconhecer essas perdas é essencial para prevenir depressão pós-parto e favorecer a recuperação emocional.
Reconstrução emocional pelo Método Reestruturação do Eu
O Método Reestruturação do Eu propõe um caminho terapêutico estruturado para reorganização emocional após perdas significativas.
1. Reconhecer a perda
A cura começa quando a mulher reconhece sua experiência:
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Minha dor é legítima.
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Eu perdi algo importante.
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Eu preciso ser acolhida.
Negar a dor prolonga o sofrimento.
Reconhecer é o primeiro passo para reorganização psíquica.
2. Acolher o sofrimento sem culpa
Pensamentos automáticos podem surgir:
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“Meu corpo falhou.”
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“Não sou completa.”
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“Falhei como mulher.”
Essas crenças precisam ser ressignificadas.
A cirurgia salvou sua vida.
Seu valor não está ligado ao útero.
Feminilidade vai além da fertilidade.
3. Ressignificar a identidade feminina
A identidade feminina não se limita à biologia.
Ser mulher envolve:
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presença emocional
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sensibilidade
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força interior
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capacidade de amar e cuidar
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resiliência emocional
A maternidade continua existindo no vínculo.
4. Reconectar-se com o bebê
Mesmo em meio à dor emocional, o vínculo pode ser fortalecido por meio de:
✔ contato pele a pele
✔ toque acolhedor
✔ olhar consciente
✔ voz suave
✔ presença emocional
O bebê precisa de presença emocional, não de perfeição.
5. Fortalecer o Eu diante da perda
A reconstrução emocional ocorre quando novos significados são internalizados:
Eu posso continuar.
Eu sou forte.
Eu continuo sendo mulher.
Eu continuo sendo mãe.
A perda não define a identidade.
Ela inaugura uma nova fase de consciência.
O vínculo mãe–bebê pode se fortalecer
Com apoio emocional adequado:
❤️ o vínculo se aprofunda
❤️ a identidade materna se fortalece
❤️ a experiência pode ser ressignificada
❤️ surge uma nova percepção de força interior
A dor acolhida transforma-se em maturidade emocional.
Falar sobre perdas é parte do processo de cura
Existem perdas visíveis e perdas silenciosas.
Quando elas são reconhecidas e acolhidas, a mulher inicia um processo genuíno de reconstrução emocional.
O silêncio emocional prolonga a dor.
A expressão emocional inicia a cura.
Uma verdade essencial
A maternidade não está no útero.
Ela está no vínculo, no cuidado, na presença e no amor.
Ser mulher não é apenas uma condição biológica.
É uma expressão de existência, força e sensibilidade.
Considerações finais
Sob a perspectiva da Psicóloga e Neuropsicóloga Socorro Castro, o Método Reestruturação do Eu oferece suporte emocional estruturado para mulheres que enfrentam perdas significativas, permitindo reconstrução da identidade, fortalecimento emocional e reconexão com sua essência.
Sobreviver foi o primeiro passo.
Reconstruir-se é o caminho da vida.
By Socorro Castro – psicóloga clínica




